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CURSO DE INICIAÇÃO ESPÍRITA

DEUS, NOSSO PAI
Por Francisco Martins


A visão Espírita de Deus:

O que é Deus?

— Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.

Quais são os atributos da Divindade?

— DEUS é eterno. É imutável. É imaterial. É único. É todo poderoso. É soberanamente justo e bom.
Para crer em DEUS é suficiente lançar os olhos às obras da criação.

A harmonia que regula as forças do universo revela combinações e fins determinados, e por isso mesmo, um poder inteligente.

A idéia da existência de um ou vários seres superiores vem desde os tempos remotos, quando o homem adquiriu a consciência de si mesmo e começou a raciocinar. Adquiriu, então, os aspectos de humanidade e a concepção de que havia alguém mais poderoso que ele, portanto um ser ou seres superiores, que haviam criado coisas que ele não tinha feito ou não entendia. Foi aí que teve início a adoração aos deuses, às montanhas, aos raios, às tempestades, ao mar e a uma infinidade de deuses que foram sendo criados à conveniência de seus criadores.

O tempo passou e os seres humanos evoluíram moralmente e assim, a visão de Deus ou deuses também evoluiu, vindo, então, a concepção de um Deus único, que teve origem com o povo hebreu.

Moisés trouxe uma imagem complexa de Deus, trouxe um Deus parcial, vingativo, irado e guerreiro. Essa era a visão dentro do entendimento daquele povo, isto, há 3700 anos atrás.

Aproximadamente 1700 anos depois, veio Jesus Cristo e trouxe uma nova concepção da visão de Deus, que mudou radicalmente o entendimento a respeito do Pai.

Jesus nos trouxe o entendimento de que Deus é um Pai amoroso, soberanamente justo e bom. Que Ele ama igualmente aos seus filhos e tudo faz para o seu crescimento evolutivo, exatamente o contrário do que pregou Moisés.

Posteriormente, veio a Doutrina Espírita e desenvolveu a visão do criador de todas as coisas, como o Consolador Prometido por Jesus, quando disse que viria a seu tempo para relembrar tudo o que Ele tinha dito e falar de coisas que Ele não podia dizer naquela época.

A partir daí, tivemos uma definição do que é DEUS, que nos foi dada pelo Espírito da Verdade e é a primeira questão do Livro dos Espíritos. Ela traça uma linha de raciocínio para que possamos ter uma visão do Universo, pois tudo que está à nossa volta se baseia na compreensão que temos um Criador.

Os Espíritos nos colocam que Deus é a inteligência Suprema do Universo. Ele é o arquiteto de todas as leis, sejam elas morais, físicas, químicas, orgânicas, etc., porque todas elas foram criadas por uma inteligência para a harmonia deste Universo.

DEUS é a causa primária de todas as coisas, pois tudo veio d´Ele, nada existia antes d´Ele, tudo o que existe no mundo material e também no mundo espiritual foi Ele quem criou. Ele é uma força positiva e inteligente que a tudo permeia.

Hoje a idéia da existência de Deus em nós é instintiva, encontra-se impressa em nossa consciência. Mas, ainda hoje, existem homens que pedem provas espetaculares e especiais da existência de Deus, e como não as enxergam, dizem não acreditar que Ele exista.

Porém, a maior prova que há da existência de Deus é a própria criação, pois é pela obra que se conhece o criador. Basta olharmos a nossa volta e vermos as maravilhas naturais que estão ao nosso dispor todos os dias. Basta olharmos o nosso corpo, como foi gerado, seu funcionamento, que comprova ser uma maravilhosa máquina que a nossa razão ainda não entende completamente. Olhemos para a cadeia alimentar, o germinar de uma árvore, a beleza de um rio ou do oceano. Olhemos a imponência da floresta tropical em contraste com um deserto, onde também germina vida. Olhemos as estrelas que brilham, estes sóis que giram no infinito, onde muitos deles carregam planetas habitados, onde também está DEUS, pois foi Ele que lá colocou vidas, como o Mestre Jesus nos afirmou que "na casa de meu Pai há muitas moradas". Basta, então, olharmos tudo isso e perceber a grandiosidade das obras do nosso Criador.

Conseqüentemente, Ele está em todos os lugares e em tudo que criou.
Já ouvimos dizer que tudo que não é espírito e nem Deus é matéria esta afirmativa está correta, porque Deus criou o espírito, a matéria e o Universo visível e invisível e suas transformações desde que foram criados. Tudo é baseado nesses três princípios: Deus, o espírito e a matéria. É a "trindade" universal, que é a base de tudo que existe.

Tudo no universo está ligado a um único princípio: o fluido cósmico universal, que é o elemento que promove toda essa ligação. Nós estamos imersos no fluido cósmico universal (como um peixe dentro de um aquário).
A ciência trabalha a definição da matéria dentro do limite da ponderabilidade. De uma forma simples, a matéria pode ser definida como qualquer coisa que tenha propriedade de ocupar espaço e que possua os atributos da gravidade e da inércia. Já a Doutrina Espírita nos dá uma visão muito mais ampla do que seja matéria. Ela nos diz que a matéria é formada de um só elemento e que este sofre transformações. É interessante ressaltar que, segundo o espiritismo, a matéria primitiva é geradora dos mundos e dos seres, que esta matéria primitiva possui todos os elementos materiais, fluídicos e vitais de TODOS os universos.
As leis Divinas ou naturais, criadas por Deus, são eternas e imutáveis. Estas leis se dividem, didaticamente, em duas partes, que são: leis físicas, que regem a matéria e suas transformações; e as leis morais, que regem as relações entre os espíritos e entre os espíritos e Deus.

A matéria, regida por suas leis, se gerenciam por si mesmas, da mesma forma que as leis morais, "traçam" a nossa marcha evolutiva. Nós jamais poderemos nos esquecer que Deus é Pai, de seus atributos, da infinita justiça e misericórdia, Ele é o Deus mostrado por Jesus, quando nos mostrou o caminho quando nos disse: "amais ao próximo como a si mesmo".

O espírito não está dissociado da matéria. A definição que nos foi dada pela Doutrina Espírita é que "matéria é o instrumento de que este se serve e sobre o qual, ao mesmo tempo, exerce sua ação", ou seja, o espírito é o agente transformador da matéria, em todas suas nuances.

Como espíritos que somos, criaturas de Deus, somos unos com Ele, eternamente unos com tudo que existe, porque Ele está em nós, não importando aonde estejamos, Ele está em nós.

Desde que nascemos temos tido informações diversas a respeito de Deus, mas em nosso íntimo sabemos que ele está onde estivermos, porque faz parte de nós. Mas nem todos assim acreditam, porque há mitos que caminham através dos tempos, entre eles a história dos anjos caídos, de Lúcifer e da rebelião no céu. Há relatos de Adão e Eva partilhando do fruto proibido e do subseqüente exílio deles do paraíso por um Deus irado punitivo; o da humanidade sendo pecaminosa e desmerecendo a glória de Deus. Outra versão trata do homem na Terra para conquistar e aprender o caminho de volta a Deus trabalhando o seu karma até conseguir, por meio de repetidas tentativas de fazer "direito". Essa definição do que é direito, também varia segundo a doutrina ou dogma que se escolha seguir. Alguns, ainda, acreditam que Deus julga e pune, enquanto outros acham que Ele joga com a criação e com os seres; alguns acham que Deus é impessoal, que está fora da criação; outros que é pessoal, que adota uma relação materna/paterna com a humanidade; há quem veja Deus sem forma, e há quem O personifique e Lhe atribua uma natureza dual (uma positiva e outra negativa). Alguns veneram a natureza, outros a Deusa, e outros, ainda, os santos ou ancestrais, anjos, ou semideuses; alguns oram para imagens, outros idolatram um texto antigo, meditam sobre o Eu interior, dependem de um guru, salvador, avatar, papa, padre, ministro ou guia. Mas o interessante é que seja qual for o modo ou modelo adotado, na essência e o que se tem é uma série de sistemas de crenças e de histórias que variam segundo o lugar e a cultura. Uma grande porcentagem desses sistemas de crença sugere um forte investimento no medo. Além de todos os mitos, fábulas, sistemas de crenças e lendas, Deus está.

Diante de tudo isso, é preciso acreditar e confiar em nós mesmos, pois somos as criaturas de Deus e antes de tudo sabemos que Ele está em nós. Dessa forma, a nossa crença está em nossa consciência, em nosso espírito e sabemos que tudo que ouvimos e aprendemos durante a nossa existência, pode não ser real, mas Deus é real. Uma prova disso é que acreditamos na sua unicidade, antes de qualquer mito ou crença. Antes de tudo é preciso ver Deus em nosso próprio rosto e no de todos os demais, até não ver outra coisa. É preciso dotar de força e coragem para amar o bastante para não permitir que o medo se apodere de nós e passe a dominar-nos.

Acreditamos em todas as fábulas e mitos, desde a criação, a ponto de vivermos atemorizados ante a iminência da morte do corpo de matéria, tememos o desconhecido e a morte para todos nós é o desconhecido, é como se ela realmente também o fosse para o nosso espírito. Porém, muitos já não têm esse medo, já aceitam a morte da matéria como uma passagem de uma dimensão para outra, pura e simplesmente.

A realidade nem sempre é como a vemos, ou como a sentimos. Por temor acabamos fazendo uma série de exercícios espirituais nas nossas idas e vindas, mas não por amor ou abnegação ou por devoção. Fazemos com o intuito de melhorar nossa sorte nesta vida ou até pensando na futura, mais por medo de não ter sucesso espiritualmente, ou sempre imaginando que Deus aprovará nossas ações se fizermos desta ou daquela maneira, que nem sempre é o certo ou o errado, mas que convencionamos ser o melhor para o nosso futuro. Continuamos com a imagem de Deus, como se Ele fosse um rei ou um superior caprichoso.
Ao invés disto, talvez o correto fosse apenas sentir a presença de Deus como a vida e o amor eternos como nós mesmos, como vivemos, nos movimentamos, sentindo que cada pequena centelha de existência está repleta de Deus: que Deus está em toda forma, em todo lugar e em todos os momentos. Deus é o ar que se respira, o vigor da força vital em cada um de nós; que Ele habita o templo do nosso coração. Deus é amor, é radiância, é percepção, é beleza em todas as coisas.

Deus é a luz e amor sem forma. Ele assume a forma em reação à devoção de cada um, como acontece com o místico ou com qualquer um que O procure. O apelo das imagens mentais vertidas no molde da mente faz com que surjam na sua visão interior e no mundo exterior como escolhido – seja ele Krishna, Jesus, Nossa Senhora, um Santo ou qualquer outro. É assim que Deus aparece quando evocado à manifestação por seus filhos, por toda a humanidade.

Deus também se faz visível e abordável por meio daqueles que conseguem fundir a própria consciência com Ele de maneira tão completa que se tornam, literalmente, unos com Deus. Estes são os verdadeiros avatares, mestres, guias, adonai (senhores de luz), seres realizados em Deus, salvadores, filhos e filhas de Deus.

Se, apenas, fizermos uma respiração profunda e conscientemente com atenção, ela se transformará em uma finíssima oração. A oração é a forma da mais profunda comunhão e da pura adoração a Deus.
Se somos compostos da partícula Divina, então, Deus é tudo o que somos: Deus é amor, o amor de Tudo Aquilo que É, Deus É.

Se respirarmos profundamente através do coração, com a amada presença do Senhor clamando em nossa mente o nome que toca no mais fundo de nós, vamos sentir a energia começar a encher-nos de paz, vitalidade, formigamento, arrepios, ondas de calor e sensações de prazer.

Caminhemos com Deus em perfeita confiança deixando que Ele nos mostre o caminho. Podemos pedir-lhe que nos ensine outro modo de ver a todos e os conhecimentos da nossa vida, até que tudo seja visto sob a luz do amor e da paz e a forma radiante de Deus, seja tudo o que é.

Repitamos o nome de Deus, não como um ritual supersticioso para afastar os males em potencial, não para apaziguar o julgamento vingativo de um deus irado, não para ganhar isenção da condenação, ou das chamas do inferno, não para tornar-se digno ou bom bastante para conquistar o amor, a graça ou a aprovação de Deus...

Repitamos o nome de Deus porque ele traz uma emoção de deleite ao nosso coração, porque ele traz à nossa mente a Sua presença e nos lembra o quanto também somos amados. Repitamos o Seu nome porque estamos totalmente em paz com Tudo Aquilo que É e não conhecemos a necessidade nem carência. Deixemos que o nosso coração se expanda até que tudo o que existe seja descoberto em nós. É nascer de novo no espírito de todas as coisas.

Lembrar-se de Deus é como uma oferenda de gratidão pela própria existência. É saltar de um charco para um vasto oceano de amor e graça. É estar plena e eternamente feliz pela simples razão da existência.
Os mundos dos universos materiais são apenas os reflexos invertidos e distorcidos da verdadeira criação.
Os mundos divinos perenes são feitos de luz e iluminados pelo amor de Deus.
A Terra, o universo que conhecemos, é o lar ao qual provisoriamente adotamos. Mas, o nosso verdadeiro lar ao qual ansiamos voltar, o nosso lar permanente, é mais vasto e iluminado do que este que hoje conhecemos.

No entanto, é aqui, nesta Terra, que nós co-criamos, somos Unos com Deus-Fonte. É aqui que nós ainda estamos, embora imagens vividas no passado nos convençam que aqui vivemos à tempos, estamos nos preparando para a partida para o nosso verdadeiro lar, de onde um dia partimos em direção à Terra como exilados.

Deus, nosso Pai, que está em nós e em tudo o que conhecemos e que vivenciamos, nos conduzirá, com certeza, nessa vasta caminhada evolutiva. É o Criador sempre amparando a sua criatura. Acreditemos nisso...


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